Semana Latino-Americana e do Caribe

economia social y solidária

Del 2 al 7 novembro 2026

SEMANA LATINOAMERICANA Y CARIBEÑA DE

de economía social y solidaria

Del 2 al 7 de noviembre de 2026

SEMESSLAC 2026: ECONOMIA SOCIAL E SOLIDÁRIA EM TEMPOS DE DISPUTA GLOBAL: DEFENDER A VIDA E CONSOLIDAR A SOBERANIA E A INTEGRAÇÃO DE NOSSOS POVOS

Pensar e construir Outras Economias a partir da América Latina e do Caribe

O mundo atravessa uma fase de profunda reconfiguração do poder global. Diante de um contexto de crises, estamos diante de uma disputa aberta pelo controle dos territórios, dos bens comuns, do conhecimento e da própria vida. Nesse cenário, as grandes potências reafirmam estratégias de dominação, combinando mecanismos econômicos, tecnológicos, financeiros e militares, enquanto se expande um novo ciclo de autoritarismo que corrói direitos, enfraquece a democracia e naturaliza a desigualdade.

A América Latina e o Caribe voltam a ocupar o centro dessa disputa.

A região enfrenta novas formas de ingerência, subordinação e disciplinamento, em um contexto no qual se aprofundam o extrativismo, a financeirização da vida e o controle geopolítico sobre nossos territórios. O ressurgimento de doutrinas de intervenção hemisférica, juntamente com a imposição de agendas econômicas regressivas, ameaça consolidar um novo ciclo de dependência. Mas nossa história não é a história da submissão.

Desde as lutas pela independência até os processos de integração regional, passando pelas resistências populares, camponesas, indígenas, afrodescendentes e urbanas, a América Latina e o Caribe construíram uma memória de dignidade que hoje volta a nos interpelar. Nessa trajetória, a Economia Social e Solidária (ESS) não é uma alternativa marginal, um complemento, um paliativo, um refúgio ou uma resposta defensiva: é um caminho estratégico de emancipação.

A ESS expressa, na prática e em sua concepção, a possibilidade de organizar a economia sobre outras bases: cooperação em lugar de competição, sustentabilidade da vida em lugar de acumulação, democracia econômica em lugar de concentração do poder. Em um mundo no qual o capital pretende transformar tudo em mercadoria, a ESS defende o que é comum, reconstrói o tecido social e abre caminhos concretos para a justiça social.

No entanto, o momento histórico exige ir além da resistência. Não basta sustentar experiências locais: é necessário avançar na articulação de um projeto regional com capacidade real de incidência. A ESS é chamada a disputar poder, construir novas institucionalidades, incidir nas agendas públicas e tornar-se a espinha dorsal de uma nova economia para nossos povos.

Nesse horizonte, a integração latino-americana e caribenha deixa de ser uma palavra de ordem para se tornar uma urgência política. Diante de uma ordem global que busca nos fragmentar, precisamos fortalecer redes de cooperação, circuitos econômicos solidários e estratégias compartilhadas que nos permitam avançar em direção a maiores níveis de soberania econômica, alimentar, energética e tecnológica.

As redes de ESS podem ser um ator fundamental nessa tarefa, não apenas como espaços de intercâmbio, mas como infraestrutura política de integração desde baixo, capaz de articular territórios, conectar experiências e construir poder coletivo.

As universidades, por sua vez, devem fortalecer seu compromisso com a transformação social. Em um contexto no qual o conhecimento é um campo de disputa, é necessário abandonar definitivamente o papel de reprodução das lógicas de dependência e subordinação, romper com o conforto de um academicismo despolitizado e avançar em direção a uma concepção de universidade não apenas comprometida com seus povos, mas que — em diálogo com as organizações sociais e reconhecendo a validade de outros saberes — se assuma como parte de um sujeito coletivo constituinte de alternativas econômicas e sociais.

Nesse processo, é fundamental evitar a desarticulação interna dentro de cada uma de nossas universidades, que muitas vezes funciona como ante-sala da mercantilização dos espaços acadêmicos, e promover a integração de nossos sistemas universitários na América Latina e no Caribe, tendo a descolonização do conhecimento como fator de convergência; não como uma palavra de ordem retórica, mas como condição para a emancipação. A América Latina e o Caribe precisam produzir pensamento próprio, situado, insurgente, capaz de nomear suas realidades e projetar seus futuros.

Propomo-nos a promover a incidência política para a implementação, em nossos países, da Resolução A/77/L60 da Assembleia Geral das Nações Unidas, de 18 de abril de 2023, intitulada “Promover a economia social e solidária para o desenvolvimento sustentável”, bem como a integrar a Rede Ibero-Americana de Fomento à Economia Social e Solidária, lançada no México em janeiro de 2024, cujo principal objetivo é promover cooperativas e empresas de trabalho associado para integrar esse setor ao comércio regional.

Em tempos em que avançam discursos autoritários que buscam esvaziar a democracia de seu conteúdo, a ESS também se afirma como uma prática concreta de radicalização democrática: autogestão, participação, decisão coletiva, controle social da economia. Defender a ESS é também defender a democracia, mas não qualquer democracia: uma democracia com justiça social, econômica e ambiental.

Diante desse cenário, não há espaço para a indiferença.

As redes universitárias de Economia Social e Solidária da América Latina e do Caribe assumem o desafio histórico de contribuir para a construção de um projeto regional baseado na cooperação, na justiça e na vida digna.

Por isso, convocamos a Semana Latino-Americana e Caribenha de Economia Social e Solidária — SEMESSLAC 2026, a ser realizada de 2 a 7 de novembro de 2026, como um processo de articulação, mobilização e ação coletiva em toda a região.

A Economia Social e Solidária é um caminho para disputar o presente e construir o futuro.

Convidamos todas as redes de Economia Social, Popular e Solidária que se sintam identificadas com esta convocatória a se somarem a ela.

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